A pesquisa Juventude e Sexualidade realizada pela Unesco em Brasília, de certa forma aparece com poucas novidades. Nela foram ouvidos 16,4 mil alunos brasileiros de escolas públicas e privadas entre 10 a 24 anos. Junto com outros resultados, foi constatado que a maioria dos jovens está praticando a primeira relação sexual por volta dos 15 anos e as meninas estão ficando grávidas já com 16 anos. A surpresa mesmo é quanto a fidelidade dos adolescentes. Apesar de iniciarem a vida sexual muito cedo, 70% deles mantém relações apenas com um (a) namorado(a) por acreditarem na importância da fidelidade.

Sexo! Está aí um assunto um tanto difícil de ser tratado pela igreja, especialmente quando pisa fora de seu chão (como por exemplo neste espaço). Conceitos e idéias confusas sempre existiram, coisas que se tornaram mitos. Começando com a infeliz conversa de que o primeiro pecado de Adão e Eva foi o sexo, e a maça (a Bíblia apenas fala em fruta) em símbolo da paixão carnal. Por isto ainda hoje esta crença de que do umbigo pra cima foi obra de Deus e do umbigo pra baixo obra do Diabo. Colhendo muitos prejuízos, alguns segmentos do cristianismo sempre tiveram a tendência de endiabrar os órgãos genitais, colocando o pecado do sexto mandamento no grau de pior e mais infame de todos. E com isto esqueceram de outros. Também esquecendo que a sexualidade é criação divina assim como tudo neste mundo, algo para ser bem usado. E se pensarmos que tudo no princípio foi feito para trazer prazer, então nada pode ser comparado com esta relação íntima entre um homem e uma mulher. Por isto outra confusão na área quando alguns dizem que sexo é apenas para procriação. Se fosse assim, homem e mulher não nasceriam com certas peculariedades.

Mas enquanto tal conceito puritano insiste, do outro extremo surge de rolo compressor uma idéia extremamente banal do sexo. E com conseqüências que estão aí, reveladas nas pesquisas e nos índices de separações matrimonias, da violência na família, das desgraças pessoais e familiares. Não foi sem razão que o Criador, depois da queda humana no pecado, editou algumas regrinhas também no uso da sexualidade. Coisas que todos já sabem, tudo baseado num tripé: sexo só no casamento, fidelidade, e união entre um homem e uma mulher até que a morte os separe. Para a maioria isto pode parecer uma grande idiotice. Mas se esta mesma maioria concorda que a fidelidade é importante, então deveriam entender que aí, neste tripé, está a sustentação da família e da própria sociedade. Não é sem razão que tudo está desmoronando.

Aceitando ou não, as regras sobre o sexo foram dadas. E assim como nas leis de trânsito, no final quem escolhe para ter uma viagem feliz é o próprio indivíduo. O problema quem sabe esteja nos pais ao entregarem o carro aos filhos mesmo quando não têm carteira. É isto que também está dizendo a pesquisa Juventude e Sexualidade, quando a maioria dos pais estão liberando seus filhos ao sexo livre desde que usem camisinha. É como estivessem dizendo ao filho sem carteira: “aí estão as chaves do carro, só não esquece de usar o cinto de segurança”.

Na verdade não são apenas os jovens que acreditam na importância da fidelidade e desejam um casamento feliz. Mas o que todos precisam entender é que a fidelidade e a felicidade só existirão mesmo quando existir o amor fiel daquele que sempre cumpre as promessas que faz (1 Pedro 4.19), promessas sustentadas na mãe de todas que diz: “se confessarmos os nossos pecados a Deus, ele cumprirá a sua promessa e fará o que é justo: perdoará os nossos pecados” (1 João 1.9).

por: Pastor Marcos Schmidt

Melodia / Portal Padom

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