Pergunta: Bom dia! Meu pastor tem lido durante as reuniões de obreiros, os nomes dos obreiros que não tem dado dízimo. Acredito que essa é uma maneira de constranger e forçar que as pessoas a darem o dízimo. As pessoas não têm que ofertar e dizimar com alegria? Tem respaldo bíblico os líderes constrangerem os obreiros ou fiéis dizendo no púlpito quem não está devolvendo dízimo? Isso tem apoio jurídico esse tipo de “cobrança”? Quero saber a sua opinião sobre este assunto

C.A.
pergunta enviada via email

Pastor André Lepre responde:

“A Palavra de Deus diz em Zacarias 4:6 que a Palavra do Senhor não é dada por força ou violência, mas pelo seu Espírito, portanto o relacionamento cristão é um relacionamento que deve ter por base a forma como Deus se relaciona conosco, ou seja, pelo Espírito Santo.

O Espírito Santo não constrange ninguém, porém de uma forma individual, particular, e sem envergonhar ninguém, exorta a fim de corrigir um erro.

Não estou entrando no mérito de ser certo ou errado não dar o dízimo como você relata que alguns estão fazendo, mas me parece equivocada a forma como vem sendo tratada (segundo o seu relato). Isso é constrangimento desnecessário e, que só afasta ainda mais ainda os liderados de seu líder.

Um assunto desse é para ser tratado no particular e, não em público. É para ser tratado em amor e graça.

A Bíblia ainda diz que a colaboração dever ser dada com alegria e, não por constrangimento ou necessidade.

Infelizmente, esse pastor está tentando resolver essa questão na força.

A nossa luta não é contra carne ou sangue, mas contra principados e potestades. Por isso, creio que a melhor maneira de tratar do assunto é de uma maneira sincera, direta entre o pastor e seus obreiros, sobre a direção do Espírito Santo e tudo ficará bem.

por:  pr. André Lepre

Bíblia Sagrada: “7Lembrai-vos: “aquele que pouco semeia, igualmente, colherá pouco, mas aquele que semeia com generosidade, da mesma forma colherá com fartura”. 7Cada pessoa coopere conforme tiver proposto em seu coração, não com pesar ou por constrangimento, pois Deus ama o doador que contribui com alegria. 8Certos de que Deus é poderoso para fazer que toda a graça vos seja acrescentada, a fim de que em todas as áreas da vida, em todo o tempo, tendo todas as vossas necessidades satisfeitas, transbordeis em toda boa obra.” – 2 Coríntios 9.

Citar nome de quem não dá o dizimo tem respaldo jurídico?

Para responder esta pergunta, entramos em contato com o irmão Samuel, que é membro de uma igreja evangélica em Guarulhos-SP e que tem grande conhecimento jurídico.

Samuel lamentou que isso tenha acontecido em muitas igrejas evangélicas, onde pastores tem usado o púlpito para “forçar”, os féis a darem o dizimo, para ele o “o ato de dizimar é um ato de fé e amor”.

“Não vou entrar no mérito da obrigação de dar o dízimo, pois não acho que dizimo repreenda devorador ou migrador. Entendo que as bênçãos que o Senhor me dá são pela sua infinita bondade e misericórdia.”, disse.

E continuou explicando que “Quanto à exposição de nomes em público, seja por qual for o motivo, não deve ser feita. Tal ato é capaz de constranger a pessoa, e é passível de indenização por danos morais.”

Samuel, cita que “o código civil explicita:

Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.

Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes.

Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.”

E aconselha dizendo que  “Diante disso, é aconselhável que tal pastor, ainda que por ignorância, se abstenha de tal ato imediatamente, sob pena de ser processado e pagar indenização por danos morais.

Importante salientar que o processo pode ser proposto contra o pastor e contra a própria igreja, e os dois serão condenados.

Penso que a condenação por tal dano moral pode girar em torno de dez mil reais. Mas, se além de expor, praticar mais algum ato vexatório, o juiz pode levar em consideração e a pena pode chegar a até 50 mil reais, dependendo do porte da igreja.

Não aconselho o irmão a processar a igreja assim, de cara, mas aconselho a conversar com seu pastor e dizer o risco que ele corre. Se ele insistir no ato, leve o fato ao conhecimento do presidente. Se persistir na injúria, aí, a solução é processar, mas recomendo segredo de justiça para não expor a igreja e escandalizar os irmãos.”

E você o que acha desse assunto? Deixe a sua opinião registrado abaixo, e compartilhe este texto com seus pastores e irmãos em Cristo.

Portal Padom

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